Um mergulho na escuridão de Ginnie Springs
“Era suposto” falar assim?
O esgoto lucrativo
O esgoto que salva (parte 1)
Tratamento de esgoto (parte 2)
O esgoto que mata (parte3)
O risco social da falta de saneamento (parte 4)
Se a indiferença para com a situação das populações mais pobres não pode ser mudada, um fator muito importante deve ser levado em conta tanto pelos eleitores quanto pelos políticos. A coleta, o tratamento e a disposição ambientalmente adequada do esgoto sanitário são fundamentais para a melhoria do quadro de saúde da população do município e, melhoria do quadro de saúde pública significa menos gastos com saúde pelo poder público.

Segundo a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), investimentos em saneamento têm um efeito direto na redução dos gastos públicos com serviços de saúde, de forma exata, para cada R$ 1,00 (um real) investido no setor de saneamento economiza-se R$ 4,00 (quatro reais) na área de medicina curativa.
Por isso, nessas eleições é nosso dever escolher candidatos que preconizem a criação e a manutenção de infraestruturas de saneamento básico no País. Vamos escolher saúde para todos e economia para o Brasil. Teremos mais dinheiro para ser investido em necessidades tão urgentes quanto a educação e campanhas de esclarecimento acerca dos cuidados para com as águas residuais, não deixar que esse excedente que o investimento em saneamento básico pode gerar seja desviado para o bolso dos corruptos também é nosso dever.
Publicado em: Gestão de RiscosO risco social da falta de saneamento
O esgoto que salva (parte 1)
Tratamento de esgoto (parte 2)
O esgoto que mata (parte3)

Para Egler (1996), o risco social é resultante de carências que contribuem para uma degradação das condições de vida da sociedade e que podem ser expressas nas condições de habitabilidade, ou seja, a defasagem entre as condições atuais e o mínimo requerido para o desenvolvimento humano, como o acesso aos serviços básicos de saneamento, água potável e coleta de lixo, podendo incorporar, a longo prazo, avaliações das condições de emprego e renda.
Já Ricardo Dagnino, considera risco social como “a maior parte dos riscos” num sentido latu, pois, “podem ser riscos causados pela sociedade ou riscos com consequências para as sociedades humanas”. Segundo ele, este tipo de risco pode ser dividido em dois grupos:
- Exógenos: relacionados aos elementos naturais e às ameaças externas (por exemplo, terremotos, epidemias, secas e inundações);
- Endógenos: relacionados aos produtos das sociedades e às formas de política e administração (crescimento urbano e industrialização, formação de povoamentos e densidade excessiva de alguns bairros).
Dessa forma, o risco social devido à falta de saneamento básico seria um risco do tipo endógeno, já que é consequência direta da ação do homem que produz e lança no espaço físico o esgoto sem ao menos, e na maioria das vezes, isolá-lo da convivência humana.
Segundo este mesmo estudioso, “os riscos sociais carecem sempre de uma abordagem inter-multidisciplinar pois implicam uma pluralidade de atores e resultam da combinação de um grande número de variáveis, particularmente difíceis de serem consideradas ao mesmo tempo.”
No caso da problemática do esgoto no País, o risco social proveniente, é culpa de toda a sociedade, tanto pelo descaso com a população carente de saneamento básico quanto pela desinformação, já que a maioria não sabe o poder destruidor do esgoto não tratado e o enorme custo ao Estado que ele provoca.
Publicado em: Gestão de Riscos
O esgoto que mata
O esgoto que salva (parte 1)
Tratamento de esgoto (parte 2)
A situação de descaso ao setor de saneamento no Brasil tem consequências muito graves para a qualidade de vida da população, principalmente aquela mais pobre, residente na periferia das grandes cidades ou nas pequenas e médias cidades do interior.
Segundo dados da ONG Esgoto é Vida, da população diretamente afetada, as crianças são as que mais sofrem, conforme nota a tabela:
• 65% das internações hospitalares de crianças menores de 10 anos estão associadas à falta de saneamento básico (BNDES, 1998);
• a falta de saneamento básico é a principal responsável pela morte por diarréia de menores de 5 anos no Brasil (Jornal Folha de São Paulo – FSP, 17/dez/99);
• em 1998, morreram 29 pessoas por dia no Brasil de doenças decorrentes de falta de água encanada, esgoto e coleta de lixo, segundo cálculos da FUNASA realizados a pedido do Jornal Folha de São Paulo (FSP, 16/jul/00);
• a eficácia dos programas federais de combate à mortalidade infantil esbarra na falta de saneamento básico (FSP, 17/dez/99);
• os índices de mortalidade infantil em geral caem 21% quando são feitos investimentos em saneamento básico (FSP, 17/dez/99);
• as doenças decorrentes da falta de saneamento básico mataram, em 1998, mais gente do que a AIDS (FSP, 16/jul/00);
• a utilização do soro caseiro, uma das principais armas para evitar a diarréia, só faz o efeito desejado se a água utilizada no preparo for limpa (FSP, 17/dez/99).
Resumindo:
15 crianças de 0 a 4 anos de idade morrem por dia no Brasil em decorrência da falta de saneamento básico, principalmente de esgoto sanitário (FUNASA-FSP, 16/jul/00). Isto significa que: Uma criança de 0 a 4 anos morre a cada 96 minutos em nosso país por falta de saneamento básico, mais precisamente, por falta de esgoto sanitário (FUNASA-FSP, 16/jul/00).
O risco social da falta de saneamento (parte 4)
O esgoto lucrativo (parte 5)
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Tratamento de esgoto
O esgoto que salva (artigo introdutório)
A devolução das águas residuais ao meio ambiente deverá prever, se necessário, o seu tratamento, seguido do lançamento adequado no corpo receptor que pode ser um rio , um lago ou no mar através de um emissário submarino.

O esgoto pode ser transportado por tubulações diretamente aos rios, lagos , lagunas ou mares ou levado às estações de tratamento, e depois de tratado, devolvido aos cursos d’água. A solução é um sistema adequado de saneamento básico que pode ou não incluir uma Estação de Tratamento de Águas Residuais, conforme o caso a ser estudado.
Geralmente a própria natureza possui a capacidade de decompor a matéria orgânica presente nos rios, lagos e no mar. No entanto, no caso dos efluentes essa matéria é em grande quantidade exigindo um tratamento mais eficaz em uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) que, basicamente, reproduz a ação da natureza de maneira mais rápida.
É importante destacar que o tratamento dos efluentes pode variar muito dependendo do tipo de efluente tratado e da classificação do corpo de água que irá receber esse efluente, de acordo com a Resolução CONAMA 20/86. Quanto ao tipo, o esgoto industrial costuma ser mais difícil e caro de tratar devido à grande quantidade de produtos químicos presentes.
Quanto à classificação, o efluente deve ser devolvido ao rio tão limpo ou mais limpo do ele próprio, de forma que não altere suas características físicas, químicas e biológicas. Em alguns casos, como por exemplo, quando a bacia hidrográfica está classificada como sendo de classe especial, nenhum tipo de efluente pode ser jogado ali, mesmo que tratado. Isso porque esse tipo de classe se refere aos corpos de água usados para abastecimento.
Pode-se então, separar o tratamento de esgoto domiciliar em 4 níveis básicos: nível preliminar, tratamento primário e tratamento secundário que tem quase a mesma função, e tratamento terciário ou pós-tratamento. Cada um deles têm, respectivamente, o objetivo de remover os sólidos suspensos (lixo, areia), remover os sólidos dissolvidos, a matéria orgânica, e os nutrientes e organismos patogênicos (causadores de doenças).
O esgoto que mata (parte3)
O risco social da falta de saneamento (parte 4)
O esgoto lucrativo (parte 5)
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O esgoto que salva
“Fora do Rio e de São Paulo, capitais mais ou menos saneadas, e de algumas outras cidades em que a previdência superintende a higiene, o Brasil é ainda um imenso hospital”. (Miguel Pereira, médico, em 1916)
Esgoto são águas que provocam nojo e repulsa na maioria das pessoas que, desacostumadas com o contato com essas águas sujas, demonstram o quanto se sentem incomodadas ao verem ou sentirem o odor dessas águas turvas. Porém, esgoto nada mais é do que as águas usadas por essas mesmas pessoas que demonstram repulsão, e que apresentam as suas características naturais alteradas, após esse processo de utilização.
Mais do que nojo, deveríamos todos preocupar-nos com a poluição que processamos nas águas que retiramos limpas da natureza. Tal poluição contamina o meio ambiente provedor de águas claras e que deveria ser tratado com respeito, gratidão e, de forma menos emocional mas igualmente inteligente, com a manutenção de seu equilíbrio, para termos por mais tempo acesso à fonte esgotável da água.
Apesar do nojo instintivo quase que imediato e até conseguirmos ver com facilidade a poluição ambiental provocada pelo esgoto. Somos capazes, sem muita reflexão, até de deduzirmos nossa culpa nesse quadro triste, dada a consciência ambiental adquirida pelo mundo nesses últimos tempos. Contudo, não conseguimos ver a olhos nus o mal que causamos, indiretamente através do esgoto que produzimos, aos nossos semelhantes.
Digo indiretamente porque não somos nós que lançamos através de nossa ação direta nossas água sujas nos rios, lagos, represas e etc. Mas somos nós que, indiretamente, somos coniventes com políticas públicas indiferentes à questão do tratamento e infraestrutura das águas residuais (outro nome do esgoto).
O lançamento indiscriminado de águas residuais domésticas no Brasil costuma ser um dos maiores problemas ambientais e de saúde pública já que os agentes patogênicos encontrados no esgoto causam doenças como a cólera, a difteria, o tifo, a hepatite e muitas outras.

No Brasil, são produzidos 32 milhões de metros cúbicos de águas residuais por dia. Deste total, apenas 14 milhões são coletados e somente 4,8 milhões de metros cúbicos de esgoto são tratados, volume que corresponde a apenas 15% do total produzido; o serviço é estendido a apenas 44% das famílias brasileiras, ou seja, 34, 8 milhões de pessoas não têm acesso à coleta de esgoto. O restante é descartado de forma indiscriminada nos rios. Ainda assim, o investimento do Governo é de apenas 0.04% do PIB.
Tal realidade é facilmente observada na Cidade de São Paulo, onde córregos e rios poluídos, tubulados ou não entram em contato direto com a população através das enchentes que ocorrem frequentemente na cidade e têm causa num mal planejamento urbano.
Tratamento de esgoto (parte 2)
O esgoto que mata (parte 3)
O risco social da falta de saneamento (parte 4)
O esgoto lucrativo (parte 5)
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